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Chefas de cozinha e a luta por reconhecimento

Quem nunca sentou para assistir um desenho animado com o seu filho em um sábado à tarde e se viu refletindo sobre aquele enredo ou final? No filme Ratatouille, em uma das cenas em que o jovem Linguini é controlado pelo talentoso chef (porém rato) Remy, a personagem Colette pergunta: 

“Quantas mulheres você está vendo nessa cozinha? Sou a única, por que será, hein? Porque a gastronomia tem uma hierarquia escrita por homens. Regras criadas para impedir que as mulheres entrem neste mundo”, diz, em uma das primeiras cenas em que aparece. Sua fala, mesmo que colocada na boca de um personagem animado, reflete a atualidade. O número de mulheres, chefas de cozinhas, reconhecidas em prêmios e listas internacionais, continua sendo menor do que a de homens, conforme dados do El País. 

Ao longo dos séculos, a mulher foi responsável por garantir a comida e também a mesa posta para sua família. Nos dias de hoje, elas estão em busca de desmistificar esse rótulo e serem reconhecidas na gastronomia, de acordo com a autora do livro "Fominismo – quando o machismo se senta à mesa", de Nora Bouazzouni.  “No meio da gastronomia, as mulheres continuam sendo impedidas por injustiças estruturais ou discriminações sistêmicas: machismo, assédio, bancos reticentes a lhes ceder empréstimos, redes de contato femininas menos desenvolvidas, licença paternidade mínima, ou mesmo inexistente...”, disse Nora.

Outro questionamento, levantado pela historiadora Bárbara Araújo, é do porquê os homens serem reconhecidos como chef e as mulheres como cozinheiras. "A cozinha que é o lugar de mulher, conforme dito popular, é a da casa, domínio privado para manutenção da família. Já a cozinha do restaurante é domínio masculino, do estereótipo de chef tatuado, machão, ranzinza, cuja agressividade é perdoada por causa do seu talento natural", relata.

Em sua análise, ela coloca uma situação da chefa Niki Nakayama, em que um dos clientes de seu restaurante se retirou ao descobrir que quem cozinhava era uma mulher. A partir daquilo, a profissional refletiu que a melhor forma para seus clientes desfrutarem da comida era não saber quem a produz. Essa observação, de acordo com Bárbara, remete também à situações em que autoras escrevem sobre pseudônimos masculinos para que possam ser recebidas pelo grande público sem maiores problemas.

Circunstâncias como essas mostram que a sociedade tem muito a evoluir e que a luta feminina terá de superar diversas barreiras. Esperamos que, em breve, possamos ter mais igualdade na cozinha profissional.

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